domingo, 24 de agosto de 2008

A cidade e suas cruzes



É, nas cidades muitas cruzes, não só da violência cotidiana, como também da hipocrisia.

E, nesse momento pré-eleitoral, as cruzes se multiplicam! Vou esclarecer: eu me refiro aos cartazes, santinhos, e a propaganda eleitoral gratuita nas televisões e rádios.

Muita gente pode acreditar, sinceramente, que este é um momento privilegiado para participar da vida nacional, escolhendo nossos representantes e tudo mais, entretanto, depois de observar as promessas, a gritaria apaixonada, a falta de política concreta e a felicidade de todas as pessoas que aparecem nos comerciais dos candidatos dá para dizer: está cada vez pior e não há um só que preste entre aqueles que seguram criancinhas e apertam as mãos de transeuntes que, absolutamente, eles não conhecem!

São cruzes... espalhadas por toda a cidade do Rio de Janeiro, por todo o país – nada mudou, apenas temos uma maior superficialidade, tanto nas propostas dos supostos candidatos como nas discussões entre os populares. O fato de considerarmos todos os políticos como “farinha de um mesmo saco”, provocou um grande desinteresse nestas polêmicas permitindo uma crença em que deve se votar em quem roube menos e, como estamos em período de eleições municipais, naquele que representa nosso bairro ou que foi indicado por um amigo que deste candidato conquistou favores.

No Rio de Janeiro, existe miséria e fome, mas todos sabem disto, afinal este é um produto brasileiro. Esta cidade sem autoridade se divide entre ladrões de todas as espécies e traficantes, e a população, que vive à mercê do que há de pior em termos de marginália. E, não apenas isto, depende de um setor de saúde falido, de um sistema educacional distante da realidade das crianças e dos seus pais; não há uma política de moradia ou de saneamento básico, não foi feita uma reforma agrária e parece que vivemos em priscas eras quando se fala de sistemas agrícolas.

Li um artigo do Boff chamado - Economia de Revolução?, logo no princípio do texto temos:
En las negociaciones de la ronda de Doha sobre comercio internacional se ha notado algo cruel. Mientras los países ricos se negaban a disminuir los subsidios agrícolas y a modificar otros renglones de la agenda comercial para preservar su alto nivel de consumo, otros luchaban, desesperadamente, para garantizar la supervivencia de sus pueblos.

Leonardo Boff descreve em seu texto a luta entre forças discrepantes, tanto internas como externas que forjam a miséria e a fome nas populações dos países mais carentes.

O autor nos assevera que só existe uma maneira de resolver este impasse:
La solución se encuentra en las manos de aquellos que en el mundo entero garantizan gran parte del suministro alimentario: la agricultura familiar y las pequeñas cooperativas populares. La agricultura familiar en Brasil representa el 70% de los alimentos que llegan a la mesa. Es responsable del 67% del fríjol, del 89% de la mandioca, del 70% de los pollos, del 60% de los cerdos, del 56% de los lácteos, del 69% de la lechuga y del 75% de la cebolla. Estos pequeños agricultores, articulados entre sí y también a nivel internacional, deben formular las políticas de producción, privilegiar los mercados locales y regionales, y mantener bajo vigilancia los mercados mundiales, para inhibir la especulación e impedir la formación de oligopolios.

Diante do que nos pode parece óbvio, pois como podemos ver, as soluções existem, o que dizer do nível de propostas e soluções maquinadas por nossos candidatos municipais? Como encarar o horário eleitoral, os sorrisos, as criancinhas felizes e nossos renovados heróis nacionais, que pretendem lançar pó de arroz e água de cheiro por toda a cidade para que suas famílias possam passear em seus carrões sem sentirem o fedor que lhes sai da própria boca?

Fico pensando de onde deve surgir a primeira chama? A solução dos governos primeiro mundistas é correr para Marte... e a nossa proposta? Como riscar o fósforo? Qual o primeiro dominó a cair? Quem será o agente da mudança? Nós mudamos por dentro, modificamos nosso ser, nossos pensamentos, procuramos por nós e pelos outros. Às vezes tenho muitas dúvidas em como aplicar toda a sensibilidade e o amor que cultivamos na prática.

Talvez tenhamos que pensar mais e juntos, e juntos agirmos, rapidamente, porque se reconhecemos que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males;”, podemos dizer também que devemos aprender a fazer o bem e, mais que isto, repreender o opressor e defender o direito de todos os órfãos deste sistema.


Texto de Leonardo Boff extraído do blog http://txanbapayes.blogspot.com/g

Citação final tirada de I Timóteo 6:10
Conclusão baseada em Isaías 1:17

2 comentários:

Adolfo Payés disse...

gracias tus aportes son tan interesantes que estoy con ganas de regresar, un beso y abrazo fuerte... saludos

Cynthia Lopes disse...

Un gran abrazo mi querido Adolfo!