domingo, 9 de setembro de 2012

Luto


O sol se põe em São Paulo. 

                                                                                                                   
Os sinos da igreja soam ao longe, 

anunciam o fim desse dia. 

São como trombetas nos lembrando

que 

somos mortais, que a carne em que 

habitamos em algum momento apodrece

 e 

vira pó: retorna a terra.

O que resta? Uma (teo)ria, um conjunto de sonhos e 

memórias e a história de uma vida curta que aos poucos 

desperta e se percebe morta ou nova criatura. De qualquer 

forma, suponho que isso não seja surpresa para àqueles que 

despertam.

A grande questão é para quem fica e perde e parece, este 

sim, viver sempre num pesadelo incompreensível.

Já perdi todos os meus grandes amores: meu pai e minha 

]mãe e agora, minhas irmãs. Primeiro Marina (ou Neném) e 

agora a Glória (ou Gogóia ou Gó ou só Dinda), minha 

segunda mãe. Ô Gó, ainda vou chorar muito a sua ausência.

 Hoje somos três mulheres, cada uma significa um caminho, 

uma estrada, entretanto, por amor, fazemos nossos 

caminhos se cruzarem e por aí seguimos, fazendo nossa 

pequena família crescer nos amigos que acumulamos e 

adotamos (e que nos adotam) pela vida afora.

Metamorfose

Lentamente as asas se descolam do corpo e parecem criar 

uma vida independente. 


Fecho os olhos. Já não sinto mais meu peso: sou como uma


pena a flutuar no ar, mesmo que ainda um tanto 


desajeitada. Sinto todos os cheiros, todos os climas, todas as 


correntes de ar. 


Respiro bem devagar e aprumo meu corpo e sobre a pele 


sinto nascer um desenho interno. Quem eu sou agora? Não 


importa quando toda a mudança se processar eu saberei, eu


serei alguém completamente novo neste mundo e o 


encontro com outros como eu será irremediável.